sábado, 28 de agosto de 2010

Cimento Eológico

Produto tem nível de CO2 reduzido em sua fórmula, causando menos impactos no meio ambiente.




Qual obra não utiliza cimento? O problema é que essa indústria responde por quase 5% das emissões mundiais de gás carbônico. Isso ocorre porque o processo de produção de cada tonelada de clínquer (seu principal componente) libera na atmosfera a mesma quantidade de CO2. A saída para combater tamanho impacto no aquecimento global é reduzir a porcentagem desse ingrediente na fórmula. Isso já acontece com o CPIII, tipo de cimento que substitui parte do clínquer por escórias de siderúrgicas, material nobre que sobra da fusão de minério de ferro, coque e calcário.

Disponível principalmente na região Sudeste, onde estão os fabricantes de aço, o produto reaproveita 70% do resíduo gerado pelas siderúrgicas. "Além dessas vantagens ambientais, o CPIII tem maior durabilidade e é mais barato do que os demais", afirma a arquiteta Flávia Malacarne, gerente de qualidade em sustentabilidade da Sustentax, consultoria em greenbuilding.

DA INDÚSTRIA PARA A SUA OBRA

Arnaldo Forti Battagin, chefe dos laboratórios da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), dá algumas dicas para quem quer utilizar o cimento "verde".

Quais as aplicações mais indicadas para o CPIII?
É um cimento de uso geral, compatível com todas as etapas da obra. Mas pouca gente sabe que ele é mais resistente, estável e impermeável em relação ao cimento comum, pois seu processo de hidratação ocorre mais lentamente. E, como demora mais para curar, o CPIII previne fissuras térmicas. Tais características o tornam ideal para fundações, lajes e pilares.

O CPIII exige algum cuidado especial?
Sim. Para preservar suas qualidades, a cura, ou secagem, deve ser feita com mais água e acompanhada com atenção.

Quem fabrica?
O CPIII existe no Brasil desde 1952, mas, até pouco tempo atrás, era alvo de preconceito dos construtores por conter resíduos industriais. No entanto, suas vantagens ambientais vêm mudando esse quadro e hoje ele já representa mais de 17% do consumo de cimento no Brasil. Na região Sudeste, as principais cimenteiras fabricam o produto: Votorantim, Holcim, Camargo Corrêa, Lafarge e João Santos. Vale lembrar que no Sul os grandes fabricantes produzem o cimento pozolânico (CPIV), que emprega resíduos das termoelétricas e tem desempenho semelhante ao do CPIII.

Por Giuliana Capello
Revista Arquitetura & Construção - 02/2008