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quarta-feira, 18 de maio de 2011

O que é Pegada Ecológica?

Para responder a esta pergunta que tanto intriga aluns dos seguidores deste blog, usarei como fonte a WWF (World Wildlife Fund, traduzindo fica Fundo Mundial da Natureza).

Você já parou para pensar que a forma como vivemos deixa marcas no meio ambiente? É isso mesmo, nossa caminhada pela Terra deixa “rastros”, “pegadas”, que podem ser maiores ou menores, dependendo de como caminhamos. De certa forma, essas pegadas dizem muito sobre quem somos!A partir das pegadas deixadas por animais na mata podemos conseguir muitas informações sobre eles: peso, tamanho, força, hábitos e inúmeros outros dados sobre seu modo de vida.

Com os seres humanos, acontece algo semelhante. Ao andarmos na praia, por exemplo, podemos criar diferentes tipos de rastros, conforme a maneira como caminhamos, o peso que temos, ou a força com que pisamos na areia.

Se não prestamos atenção no caminho, ou aceleramos demais o passo, nossas pegadas se tornam bem mais pesadas e visíveis. Porém, quando andamos num ritmo tranqüilo e estamos mais atentos ao ato de caminhar, nossas pegadas são suaves.

Assim é também a “Pegada Ecológica”. Quanto mais se acelera nossa exploração do meio ambiente, maior se torna a marca que deixamos na Terra.

O uso excessivo de recursos naturais, o consumismo exagerado, a degradação ambiental e a grande quantidade de resíduos gerados são rastros deixados por uma humanidade que ainda se vê fora e distante da Natureza.

A Pegada Ecológica não é uma medida exata e sim uma estimativa. Ela nos mostra até que ponto a nossa forma de viver está de acordo com a capacidade do planeta de oferecer, renovar seus recursos naturais e absorver os resíduos que geramos por muitos e muitos anos.

Isto considerando que dividimos o espaço com outros seres vivos e que precisamos cuidar da nossa e das próximas gerações. Afinal de contas, nosso planeta é só um!

Um pouco de história

No início da década de 90, os especialistas William Rees e Mathis Wackernagel procuravam formas de medir a dimensão crescente das marcas que deixamos no planeta.

No ano de 1996, os dois cientistas publicaram o livro Pegada Ecológica – reduzindo o impacto do ser humano na Terra, apresentando ao mundo um novo conceito no universo da sustentabilidade.

A Pegada Ecológica foi criada para nos ajudar a perceber o quanto de recursos da Natureza utilizamos para sustentar nosso estilo de vida, o que inclui a cidade e a casa onde moramos, os móveis que temos, as roupas que usamos, o transporte que utilizamos, aquilo que comemos, o que fazemos nas horas de lazer, os produtos que compramos e assim por diante.

Para o WWF-Brasil, a Pegada Ecológica não é apenas uma nova forma de se trabalhar as questões ambientais, às quais se dedica desde 1971, ano em que a Rede WWF iniciou suas atividades no Brasil.

A Pegada é também uma ferramenta de leitura e interpretação da realidade, pela qual poderemos enxergar, ao mesmo tempo, problemas conhecidos, como desigualdade e injustiça, e, ainda, a construção de novos caminhos para solucioná-los, por meio de uma distribuição mais equilibrada dos recursos naturais, que se inicia também pelas atitudes de cada indivíduo.

 

 

Seu estilo de vida diz tudo

Qual a relação entre o seu cotidiano e o meio ambiente? Você já parou para pensar?
Água
Todos os dias você escova os dentes, toma banho, lava as mãos, faz comida, lava a louça e a roupa, utiliza a descarga. Você já pensou o quanto tudo isso consome de água por dia?

Para passar das conjecturas aos dados, verifique em sua conta o total de metros cúbicos mensais e divida esse total por 30 dias e pelo número de pessoas que moram na sua casa. Assim, você terá a sua média individual diária calculada.

Somos hoje 6 bilhões de habitantes no planeta, com um consumo médio diário de 40 litros de água por pessoa.

Um europeu gasta de 140 a 200 litros por dia, um norte-americano, de 200 a 250 litros, enquanto em algumas regiões da África há somente 15 litros de água disponíveis a cada dia para cada morador.

Segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o consumo médio diário por habitante da cidade de São Paulo é de 200 litros de água, considerado altíssimo.

Há grande desperdício, isto é, os paulistanos deixam uma pegada ecológica excessiva, no que se refere à água. Certamente é possível melhorar muito!

Energia elétrica
Diariamente, você faz funcionar luzes e eletrodomésticos como chuveiros, computadores, liquidifi cadores etc. Também ouve música ou notícias no rádio, assiste a programas de TV, lava e seca roupas em máquinas, usa elevadores, escadas rolantes, climatização de ambientes (ar condicionado ou aquecedores). Você já pensou em quanta Natureza é preciso “empregar”
para fazer tudo isso funcionar?

No Brasil a maior parte da energia elétrica consumida é produzida por hidroelétricas, que exigem, para seu funcionamento, a construção de grandes barragens.

Assim, com o aumento de consumo e a decorrente necessidade de produzir cada vez  mais energia elétrica, torna-se necessário represar mais rios e inundar mais áreas, reduzindo as florestas, impactando a vida de milhares de outros seres vivos, retirando comunidades de suas terras e alterando os climas locais e regionais como aumento das superfícies de evaporação.

Alimentação
Atualmente, muitas pessoas comem mais do que o necessário. É o que mostram os altos índices de obesidade no mundo, principalmente nas nações mais desenvolvidas. Mas comer em grande quantidade não garante uma boa saúde, pelo contrário.

A alimentação é um item muito importante da nossa qualidade de vida, mas, além disso, uma dieta natural e equilibrada é bastante favorável à preservação dos ambientes.

O consumo de alimentos orgânicos ou naturais ajuda a diminuir o uso de agrotóxicos e o equilíbrio alimentar leva a uma exploração menos irracional dos recursos do planeta, reduzindo, em muitos aspectos, nossas pegadas. Lembre-se de que não faltam alimentos no mundo e sim uma distribuição mais justa.

Consumo e descarte
Quanto mais consumimos, mais lixo produzimos. Os resíduos naturais, ou matéria orgânica, podem ser inteiramente absorvidos e reutilizados pela Natureza, mas o tipo de resíduos que nossa civilização produz nos dias de hoje, especialmente os plásticos, não podem ser eliminados da mesma forma.

Eles levam milhares de anos para se desfazer no ambiente. Você já mediu quanto você, sua família ou seu grupo de trabalho produzem de lixo por dia? A média nos grandes centros urbanos é de 1kg por pessoa. É muito lixo!

Mas você pode contribuir bastante se separar os materiais descartados. Comece separando o lixo entre seco (reciclável) e o úmido (orgânico). Você irá observar que o peso do seco é pequeno, porém seu volume é enorme.

Já o lixo úmido, ocupa menos espaço, porém é bastante pesado. Parte do lixo seco pode ser encaminhado para a reciclagem e o lixo orgânico, por sua vez, pode ser destinado à compostagem.

Esta atitude pode ser difícil no início, pois é necessário envolver todos que estão à sua volta, mas se você tem vontade de fazer algo que realmente contribua com a preservação do nosso planeta, continue tentando e implante a coleta seletiva.

Transporte
Quanto você se desloca por dia? De que forma: carro, ônibus, trem, metrô, a pé ou de bicicleta? A maioria dos meios de transporte que utilizamos em nosso cotidiano utilizam combustíveis fósseis, ou seja, não renováveis.

Esta fonte energética que vem do petróleo, do carvão e do gás natural polui o ar, principalmente nos grandes centros urbanos, devido à enorme quantidade de automóveis.

Hoje em dia, a ciência e a sociedade civil têm pressionado o poder público e a iniciativa privada na busca de soluções para a poluição. Este enorme problema agrava o aquecimento global e ocasiona o aumento de doenças respiratórias.

Por isso, um transporte sustentável tem de utilizar eficazmente a energia, ou seja, transportar o máximo de carga possível gastando o mínimo de combustível.

Daí a importância de se utilizar o transporte coletivo e de se oferecer carona
sempre que possível. Andar de bicicleta e fazer pequenos trechos a pé, também ajuda a reduzir sua pegada.  


O que compõe a Pegada?


A Pegada Ecológica de um país, de uma cidade ou de uma pessoa, corresponde ao tamanho das áreas produtivas de terra e de mar, necessárias para gerar produtos, bens e serviços que sustentam determinados estilos de vida. Em outras palavras,a Pegada Ecológica é uma forma de traduzir, em hectares (ha), a extensão de território que uma pessoa ou toda uma sociedade “utiliza” , em média, para se sustentar.
Para calcular as pegadas foi preciso estudar os vários tipos de territórios produtivos (agrícola, pastagens, oceanos, florestas, áreas construídas) e as diversas  formas de consumo (alimentação, habitação, energia, bens e serviços, transporte e outros). As tecnologias usadas, os tamanhos das populações e outros dados, também entraram na conta.

Cada tipo de consumo é convertido, por meio de tabelas específicas, em uma área medida em hectares. Além disso, é preciso incluir as áreas usadas para receber os detritos e resíduos gerados e reservar uma quantidade de terra e água para a própria natureza, ou seja, para os animais, as plantas e os ecossistemas onde vivem, garantindo a manutenção da biodiversidade.

Composição da Pegada Ecológica


  • TERRA BIOPRODUTIVA: Terra para colheita, pastoreio, corte de madeira e outras atividades de grande impacto.
  • MAR BIOPRODUTIVO: Área necessária para pesca e extrativismo
  • TERRA DE ENERGIA: Área de florestas e mar necessária para a absorção de emissões de carbono.
  • TERRA CONSTRUÍDA: Área para casas, construções, estradas e infra-estrutura.
  • TERRA DE BIODIVERSIDADE: Áreas de terra e água destinadas à preservação da biodiversidade.
De modo geral, sociedades altamente industrializadas, ou seus cidadãos, “usam” mais espaços do que os membros de culturas ou sociedades menos industrializadas.

Suas pegadas são maiores pois, ao utilizarem recursos de todas as partes do mundo, afetam locais cada vez mais distantes, explorando essas áreas ou causando impactos por conta  da geração de resíduos.

Como a produção de bens e consumo tem aumentado significativamente,
o espaço físico terrestre disponível já não é suficiente para nos sustentar no elevado padrão atual.

Para assegurar a existência das condições favoráveis à vida precisamos viver de acordo com a “capacidade” do planeta, ou seja, de acordo com o que a Terra pode fornecer e não com o que gostaríamos que ela fornecesse. Avaliar até que ponto o nosso impacto já ultrapassou o limite é essencial, pois só assim poderemos saber se vivemos de forma sustentável.
Calcule sua pegada

fonte: http://wwf.org.br/wwf_brasil/pegada_ecologica/

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Pallets Forever

Olá!
Sabem aqueles pallets de madeira....






Feios, sem graça e sem utilidade nehuma. Aqueles que de vez enquando agente acha jogado por aí nos terrenos baldios.
Pois bem baseando-me na Lei da Conservação das Massas... Lei de Lavoisier...ok...rss "Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma", pensei no que esta coisa poderia se tornar de úil.
A respota veio rapidamente e resolvi dar uma procuradinha no Google Imagens.
Olha só cada coisa legal que dá pra fazer:









Legal né?!
Dá pra fazer muita coisa sem gastar praticamente nada, principalmente se comparar com o que você iria gastar se fosse comprar...Fora o detlhe que dá pra personalizar e deixar bem o estilo da sua casa ou do cantinho que você mais gosta.

Abraços!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O custo de construção ecológica

ESTUDO DEFENDE A "OBRA ECOLÓGICA"



O custo de construção ecológica é 300% inferior ao que se crê no Brasil e em boa parte do resto do mundo, sustenta o Conselho Mundial Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD, sigla em inglês).

A entidade, reunindo 200 multinacionais que dizem apoiar projetos de combate as mudanças climáticas, divulgou ontem pesquisa junto a 1.400 pessoas em vários países, basicamente construtores, arquitetos, engenheiros e fabricantes de material.

Entre os brasileiros, a percepção é de que a construção sustentável ou ecológica seria 22% mais cara que a construção convencional - quando na realidade a diferença seria de 5%, três vezes menor, segundo a entidade.

A exemplo da média mundial, os brasileiros responderam que a emissão de gases de efeito estufa pelo setor de construção representaria 19% do total global, quando, segundo a entidade, na verdade é o dobro, 40%.

Além disso, 82% dos brasileiros participantes disseram estar consciente sobre a importância de construção ecológica, mas apenas 27% preocupados com a questão e somente 8% já se envolveram nesse tipo de projeto.

"O mal julgamento sobre custo e benefício de construção sustentável no Brasil é preocupante porque, como no resto do mundo, acaba dificultando projetos de eficiência energética", afirmou o sueco Christian Kornevall, diretor do projeto Eficiência Energética na Construção (EEC), que vê no estudo oportunidade de estimular globalmente o conhecimento e tecnologias para "construção verde".

O conceito de construir "verde" ou de maneira sustentável inclui reduzir consumo de energia, minimizar o uso de insumos, utilizar o máximo de material renovável ou reciclável nas edificações. A combinação de tecnologia existente com design mais respeitoso do meio-ambiente pode aumentar a eficiência energética em 35%, reduzir enormemente custos de aquecimento, ventilação, uso de água quente e aumentar a durabilidade da residência, segundo os dois financiadores do estudo, a francesa Lafarge, um dos lideres globais na produção de cimento, concreto e gesso, e a americana United Technologies Corporation, com tecnologia e serviços para a indústria da construção.

O setor de construção representa 40% do uso primário de energia usada globalmente e o consumo energético na construção aumenta de maneira enorme nos países mais populosos e em rápida expansão econômica, como China e Índia. A China está construindo dois bilhões de metros quadrados por ano, equivalente a um terço da área construída no Japão. Significa que os chineses constroem o equivalente a um Japão a cada três anos.

Já a demanda de energia na construção no Brasil cresce, mas, segundo o estudo, continuará relativamente baixa em 2030 comparado as outras regiões.

De outro lado, crescem na Europa projetos estimulados pelos governos para reduzir dramaticamente o uso de energia. O primeiro-ministro britânico Gordon Brown fixou o objetivo para que toda nova residência na Inglaterra seja neutra do ponto de vista de emissões de carbono, em 2016.

Entidade quer mudar hábitos do setor no país

O Conselho Mundial Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD, na sigla em inglês) desenvolve um projeto ambicioso de três anos: estimular a transformação da indústria de construção no Brasil, China, Índia, Japão, Europa e Estados Unidos.

A entidade prepara um grande evento para fevereiro no Brasil a fim de tentar engajar os empresários ao seu projeto Eficiência Energética na Construção (EEC).

A idéia é estimular a construção de prédios ecológicos ou sustentáveis, que consumam liquidamente zero de energia (só consumir o mesmo montante que o próprio prédio pode gerar), sejam neutros em emissões de carbono e ao mesmo tempo comercialmente viáveis

Isso passa pelo combate aos chamados "prédios burros", com excesso de vidros escuros nas fachadas, o que exige uso de ar condicionados para ventilar os ambientes, gastando mais energia e mais recursos.

O projeto cobre a vida inteira dos prédios, da construção a demolição. É financiado pela Lafarge e United Technologies Corporation, com participação da Cemex, DuPont, Electricité de France, Gaz de France, Kansai, Philips, Sonae e Tepco. Até agora, nenhuma empresa brasileira se dispôs a participar.

Primeiro, o projeto procurou estudar a situação nos países envolvidos. Agora vai identificar mudanças necessárias à indústria da construção, financiamento e comportamentos. A fase final, em 2009, terá um plano de ação para tentar influenciar autoridades e os envolvidos no setor.


VALOR ECONÔMICO – 28/08/07
Fonte: http://lancamentosrj.com/noticias/mercado-imobiliario/o-custo-de-construcao-ecologica.html

quarta-feira, 30 de março de 2011

Selo Biomóvel

Alguém ja ouviu falar sobre isso?

O selo foi desenvolvido na região do Planalto Norte de Santa Catarina, onde se destacam os municípios de São Bento do Sul, Rio Negrinho e Campo Alegre, lança no mercado brasileiro o Biomóvel.

Trata-se de uma nova cultura na produção de móveis, baseada nos conceitos de sustentabilidade, em que as indústrias ajustam seus processos de produção para fabricar um móvel que, além de atender a todos os requisitos de qualidade e bom gosto, é também "ecologicamente correto".

PRINCÍPIOS


Biomóvel é o mais novo conceito em móveis. O único que segue em sua produção rigorosos princípios de sustentabilidade.



A criação deste conceito é resultado de uma pesquisa aprofundada a respeito de processos já utilizados por fabricantes de móveis em outros países e também em outros setores. Vemos o prefixo ́bió associado a vários produtos, como ́biojóias ́, bioartesanato e ́biodieseĺ. Por que não difundi-lo associado ao móvel, juntamente com todo seu conceito de sustentabilidade, isto é, fazer com menos e com uma produção limpa?

O Biomóvel é um processo de projetar produtos e sistemas de produtos para minimizar os impactos ambientais em todas as fases do ciclo de vida. A estratégia do Biomóvel integra todos os níveis de desenvolvimento do produto, associando vantagens competitivas em termos de poupança dos materiais utilizados, redução dos resíduos de produção e também de marketing.

O conceito parte dos processos que acompanham o nascimento, a vida, a morte de um produto e seu renascimento, com a reciclagem ou reuso de suas partes. Tais processos são esquematizados nas seguintes fases:

1. Pré-produção, onde são produzidos os materiais e os semi-acabados utilizados na produção.
2. Produção, entendida como transformação dos materiais, montagem, acabamento.
3. Distribuição, que inclui a embalagem, o transporte e o armazenamento.
4. Utilização, que também pode incluir a manutenção.
5. Eliminação/destino final, que prevê uma série de opções de disposição final, como a reutilização e a reciclagem.

Nas fases de criação e produção do móvel, alguns aspectos fundamentais devem ser considerados:

• Projetar produtos multifuncionais.
• Evitar o superdimensionamento.
• Escolher processos produtivos que reduzem o consumo de materiais.
• Otimizar o consumo de energia na produção.
• Utilizar embalagens recicláveis.

ANÁLISE DO CICLO DE VIDA

A Análise de ciclo de vida de um produto é a forma mais consagrada de análise, avaliação e interpretação dos resultados do impacto ambiental e das relações entre o produto e o ambiente, não apenas os materiais, mas também o conjunto dos processos que acompanham todas as fases de vida de um produto: do projeto ao desenvolvimento, da utilização ao destino final. A avaliação estuda os aspectos ambientais e os impactos potenciais ao longo de toda a vida de um produto (isto é, "do berço ao berço", incluindo reuso e reciclagem) desde a extração dos recursos naturais/matérias-primas, passando pela manufatura/fabrico e utilização até o destino final.


A elaboração de um ciclo de vida articula-se em quatro fases, estritamente interligadas:

1. Definição dos objetivos e âmbito.
2. Inventário ambiental.
3. Avaliação dos impactos.
4. Interpretação dos resultados.


Os dados ambientais colhidos no inventário distinguem-se em:

• Dados ambientais relativos às matérias-primas (semi-acabados) na entrada do ciclo produtivo do móvel, subdivididas em fileiras: materiais lenhosos, vernizes/tintas, colas, embalagens, materiais não-lenhosos, tanto plásticos (PE, PU) como metálicos (aço, alumínio); tais dados derivam de pesquisas específicas efetuadas nos estabelecimentos dos produtores dos semi-acabados e, em medida inferior, de dados de literatura


• Dados ambientais relativos à fase de produção do móvel, subdivididos por categoria de produto. A fase de produção usufruiu da análise dos dados fornecidos pelas empresas que participaram no projeto Green Home (ver parte VII desta cartilha). Os dados foram organizados de maneira a serem coerentes com as matérias-primas na entrada do ciclo produtivo (materiais lenhosos, plásticos e metálicos, vernizes/tintas, colas e embalagens) e com as categorias de produto na saída (cadeiras, camas, etc.)

• Dados relativos à fase de utilização do móvel, em que são feitas aquisições relativas às emissões de formaldeído, e à fase de fim de vida ou destino final de um móvel.


A regra principal do Biomóvel é sempre criar produtos que de fato economizem ao máximo as matérias-primas. Trata-se, portanto, de atingir o objetivo de satisfazer as exigências do cliente (funcionais e estéticas) racionalizando os consumos das matérias-primas utilizadas.

O SELO DE CERTIFICAÇÃO

Critérios para obtenção

O Biomóvel promove a melhoria qualitativa dos produtos no setor de móveis e decoração, com base na redução da utilização de recursos não-renováveis e das emissões por unidade de produto. Este objetivo geral é explicitado nos seguintes objetivos específicos:

a. Defender a difusão de práticas sustentáveis, tanto do ponto de vista ambiental quanto social, na gestão das florestas.
b. Promover um projeto/design do móvel voltado para prevenir os impactos ambientais do produto e para reduzir a produção de resíduos e emissões durante cada fase do seu ciclo de vida.
c. Promover uma constante melhoria nos processos, nos produtos e nas tecnologias, de maneira a minimizar o impacto ambiental; promover a melhoria e a salubridade dos ambientes de trabalho e reduzir todos os possíveis riscos para a saúde do usuário final.
d. Tutelar o consumidor, melhorando e tornando transparente a informação ambiental dos móveis ecológicos.

Como em qualquer outro setor, também no moveleiro o fato de uma empresa empreender uma política orientada para a sustentabilidade implica o envolvimento de uma série de fatores e requer uma análise do impacto ambiental em todas as fases do processo:

- Critérios ecológicos prevalecentes na fase de produção
- Critérios ecológicos prevalecentes na fase de utilização
- Critérios ecológicos prevalecentes na fase de eliminação.

Muitas vezes pensamos que é ecológico o retorno aos materiais naturais, madeira, cortiça. Não é verdade que o que mais parece natural seja mais ecológico. Devemos pensar na origem do material, no seu desperdício, no consumo de energia e pensar no prolongamento da vida dos produtos, na qualidade, na possibilidade de substituir as peças, nas peças de reposição e na montagem.


A qualidade ecológica de um produto de mobiliário e decoração depende, portanto, de um conjunto muito amplo de fatores que abrangem todas as fases do processo:

• O fornecimento de matérias-primas (utilização de recursos renováveis e, nesta ótica, necessidade de acordos com os fornecedores para garantir a origem do material; custos de transporte e meios utilizados para o mesmo...).
• A produção (o pó da madeira e as colas que contêm formaldeído podem causar tumores; o tratamento das superfícies com vernizes, tintas, solventes, produtos poluentes e corrosivos pode ser nocivo à saúde, danificar o ozônio e poluir os lençóis de água, enquanto que a utilização de vernizes/tintas em pó, mesmo em medida inferior, é nociva ao organismo; embalagens não-reutilizáveis causam problemas ambientais quando eliminadas; os refugos e os resíduos da produção poluem o ar, a água, o solo; na produção é necessário reduzir o esbanjamento de recursos e limitar as descargas e emissões tóxicas no ar...).
• A utilização do móvel por parte do cliente (emissões poluentes e nocivas à saúde, riscos de acidentes...).
• A eliminação ou destino final (necessidade de prolongar a vida do produto por meio da restauração e substituição dos componentes, possibilidade de desmontagem, reutilização dos componentes, reciclagem do material...).

Para se candidatar ao direito de uso do SELO BIOMÓVEL a empresa deve ser integrante do APL do Alto Vale do Rio Negro e submeter-se à AVALIAÇÃO DA CONFORMIDADE para obtenção do Selo Biomóvel.

Os contratos de uso do SELO BIOMÓVEL são válidos para um período de 3 (três) anos e firmados diretamente com o COMITÊ DE CERTIFICAÇÃO (CC), composto por representantes do SINDUSMOBIL/SINDICOM/ARPEM.

Cabe ao COMITÊ CERTIFICADOR credenciar instituições para atuarem na qualidade de OAC – Organismo de Avaliação da Conformidade. Este organismo é que faz a auditoria nas empresas candidatas a adquirir o Selo Biomóvel.


Auditoria
As empresas certificadas são auditadas uma vez por ano pelo OAC – Organismo de Avaliação da Conformidade, garantindo dessa maneira o contínuocumprimento dos procedimentos necessários à produção do Biomóvel.

A OAC encaminha ao Comitê Certificador um parecer referente ao credenciamento para o uso do Selo Biomóvel, o que vai encaixar as empresas em um dos três grupos a seguir:

1. Recomendado sem Ressalvas: Empresas que têm totais condições de utilizar o Selo Biomóvel.
2. Recomendado com Ressalvas: Empresas que precisam aprimorar detalhes em seu processo de produção.
3. Não-recomendado: Empresas que no momento da auditoria não se enquadraram nos critérios básicos necessários a certificação.

Tipos de Certificação:
• Certificação da empresa: concede à empresa o certificado, confirmando a capacidade gestora para produzir o Biomóvel.
• Certificação do Produto: concede o Selo ao produto, a partir dos testes, de acordo com o regulamento que instituiu o Biomóvel.

Biomóvel passo a passo
Conheça os passos que uma empresa percorre para conquistar o selo Biomóvel:

1o Passo
A empresa integrante do APL deve encaminhar sua solicitação ao Grupo Gestor, preenchendo o Formulário de Intenção

2o Passo
Após receber formalmente a solicitação da empresa para o uso da certificação Biomóvel, o Grupo Gestor encaminha as informações ao Comitê Certificador.

3o Passo
O Comitê Certificador entra em contato com a empresa fornecendo o regulamento do processo de certificação, com todas as informações necessárias para adquirir o selo Biomóvel. Nesta fase, o Comitê Certificador, encaminha também o Formulário de Credenciamento, que é um documento que descreve as disposições que a empresa realiza para cumprir os requisitos do regulamento.

4o Passo
Nesta fase o Comitê Certificador analisa a solicitação, bem como a documentação enviada, e encaminha seu parecer ao OAC – Organismo de Avaliação da Conformidade.

5o Passo
O OAC analisa a documentação e, logo após agenda uma visita prévia, com o objetivo de planejar a auditoria inicial. A análise e aprovação do OAC será baseada nos seguintes requisitos:

1. Documentação completa
2. Tipo de produto e processos de produção
3. Conhecimento prévio da organização pela entidade auditora.

6o Passo Após aprovação da documentação, o OAC agenda, junto com a empresa, a realização da auditoria inicial para verificar a implementação dos requisitos descritos no regulamento.

7o Passo O OAC elabora um relatório da auditoria com os registros que evidenciam o atendimento a todos os itens especificados no regulamento.

Quais requisitos a empresa deve atender na auditoria?

1. Ter na composição do móvel 100% de madeira de origem reflorestada.
2. Quando do uso de painéis na sua composição, estes deverão ser da classe E1.
3. Ter em sua constituição no mínimo (70%) de produtos amadeirados e/ou de fibras naturais, excetuando-se as ferragens articuláveis (dobradiças, corrediças, etc.), os acessórios, elementos de montagem e móveis estofados.
4. Utilizar exclusivamente adesivos à base de PVA e, quando não possível, de baixa emissão de formaldeídos.
5. Quando da utilização de revestimentos em PVC ou laminados de borda, utilizar adesivos de contato à base de solventes não-agressivos.
6. A empresa deve ter procedimentos que permitam identificar, conhecer, administrar e controlar os resíduos que ela gera durante o processo produtivo, como: emissões atmosféricas, efluentes líquidos e resíduos sólidos.
7. Os produtos químicos, vasilhames, resíduos não-orgânicos líquidos e sólidos, incluindo combustível e óleos lubrificantes, devem ser direcionados de forma ambientalmente apropriada, em local adequado.

PRONTO! A EMPRESA FOI APROVADA PELA AUDITORIA. E AGORA? QUAIS AS PRÓXIMAS RECOMENDAÇÕES?

Avaliação de manutenção Após a concessão da certificação, o acompanhamento e a manutenção são realizados exclusivamente pelo OAC, que planeja novas auditorias para constatar se as condições técnico-organizacionais, que deram origem à aprovação da empresa, estão sendo mantidas. Será realizada, no mínimo, uma auditoria por ano para cada empresa certificada, podendo haver outras, desde que haja liberação do Comitê Certificador (CC), baseada em evidencias que as justifiquem. A decisão sobre a manutenção da certificação é de responsabilidade do Comitê Certificador. Deve ocorrer com base nas informações obtidas durante a etapa de análise da documentação e auditoria e ouvida a recomendação da entidade auditora. Cumpridos todos os requisitos do regulamento, o CC deve emitir o Certificado de Conformidade e registrar a informação acerca dos dados da organização no catálogo de empresas e produtos certificados para uso do SELO BIOMÓVEL. O tratamento das não-conformidades e os prazos para implementação são acordados entre a empresa e o Comitê Certificador. O CC deve avaliar de forma sistêmica as evidências do tratamento da não conformidade para que as ações corretivas sejam eficazes. A empresa deve ter seu processo produtivo controlado de forma a evitar desvios que possam comprometer a conformidade do produto final. Além disso, qualquer alteração sensível no processo produtivo deve ser informada ao CC e implica necessariamente uma nova avaliação.

Selo de Certificação da Conformidade A obtenção da certificação possibilitará o uso do Selo BIOMÓVEL, e tem como objetivo indicar que estes produtos são de empresas que atendem às exigências e especificações do Regulamento.

Nota: quando a empresa possuir catálogo, prospecto comercial ou publicitário, as referências ao Selo BIOMÓVEL só podem ser feitas para os produtos constantes do escopo.

Especificação O Selo de Identificação da Conformidade deve estar de acordo com as características definidas neste regulamento. O selo do BIOMÓVEL deve estar visível no produto e na embalagem primária.

A empresa deve manter registro do controle do Selo BIOMÓVEL utilizado. Este registro deve conter número de série ou identificação do lote. Uma nova cultura na produção de móveis

A empresa que produz o Biomóvel não utiliza o conceito de sustentabilidade apenas em sua linha de produção. Ela também recebe todo o suporte do Comitê Certificador para a implantação de programas que a levem a assumir a cultura da sustentabilidade, fazendo com que esse conceito, torne-se um hábito no dia-a-dia de seus colaboradores. Conheça alguns desses programas:

• Política de uso do Selo Biomóvel A direção da empresa é orientada a anexar a sua documentação a “Política de Uso e Compromisso com o Selo”, emitida pelo Comitê Certificador. A mesma é divulgada entre os funcionários e o mercado, mostrando que a direção está comprometida com o cumprimento dessa política.

• Relações e Direitos dos Trabalhadores Recomenda-se que a atividade produtiva alcance, e até supere, todas as leis aplicáveis e/ou regulamentações relacionadas à saúde e segurança de todos os trabalhadores. A empresa deve determinar e gerenciar as condições do ambiente de trabalho necessárias para alcançar a conformidade com os requisitos do produto.

• Fornecedores As empresas que possuem o Selo Biomóvel, em hipótese alguma, têm relações com fornecedores que utilizam mão-de-obra infantil e trabalho escravo. Estes devem apresentar controles e cuidados especiais em relação ao tratamento dos resíduos industriais.

• Aspectos ambientais A empresa deve possuir objetivos e metas que estejam alinhados com o cumprimento dos aspectos legais. Esses objetivos e metas devem refletir os aspectos ambientais, os resíduos gerados e seus impactos no meio ambiente.

• Programa de gestão ambiental Recomenda-se que a empresa tenha um programa estruturado com responsáveis pela coordenação e implementação de ações que cumpram o que foi estabelecido na política ambiental e as exigências legais, que atinjam os objetivos e metas e que contemplem o desenvolvimento de novos produtos e novos processos. Este programa prevê ações contingenciais, associadas aos riscos envolvidos e aos respectivos planos emergenciais.

• Exigências legais A empresa é orientada a desenvolver um processo para obter e ter acesso a todas as exigências legais pertinentes a sua atividade. Essas exigências devem ficar claras à direção da empresa. Os funcionários deverão conhecer essas exigências e as documentações necessárias para seu cumprimento.

• Sistema da Qualidade A empresa recebe suporte para apresentar um sistema de controle documentado, no qual esteja detalhado o seguinte: a. Os procedimentos que adota para o processamento, rastreamento e manuseio dos produtos de base florestal, desde a ordem de compra até a venda e expedição do produto final. b. Os procedimentos para o uso do logotipo e identificação de produtos certificados.

• Controle de Documentos A empresa deve manter um sistema de controle dos documentos e procedimentos que afetam a qualidade dos produtos de base florestal para que sejam controlados e assinados pelos responsáveis, com acesso fácil aos interessados, para manter atualizados, identificados, legíveis e armazenados adequadamente.

• Preservação de produto A empresa deve preservar a conformidade do produto durante o processo interno e entrega no destino pretendido. Esta preservação deve incluir identificação, manuseio, embalagem, armazenamento e proteção. A preservação também deve ser aplicada à s partes constituintes de um produto.

Conclusão Uma das formas mais concretas da aquisição da sustentabilidade é a conscientização ambiental das empresas. Em longo prazo, organizações que buscam a sustentabilidade, além de estarem conformes com a legislação ambiental, serão melhores vistas pela comunidade, aumentando o consumo de seus produtos no mercado sem que haja modificação nos seus custos de produção.

A adoção de práticas ambientalmente corretas nas empresas moveleiras reduz o desperdício da madeira, sua principal matéria-prima. Tais medidas colaboram para suprir a demanda mundial crescente por madeira. Sendo assim, a Produção Mais Limpa e as Tecnologias Limpas são ferramentas essenciais para cumprir as necessidades ambientais de um desenvolvimento sustentável.

Para baixar a cartilha com todas as informações necessárias acesse este link: http://www.biomovel.org.br/assets/files/cartilha.pdf